O Segredo do BRICS que a Mídia Não Quer que Você Saiba.

O Segredo do BRICS que a Mídia Não Quer que Você Saiba.

O Segredo do BRICS que a Mídia Não Quer que Você Saiba.

A cidade do Rio de Janeiro volta a ser o centro das atenções diplomáticas globais, pouco mais de oito meses após ter sediado a cúpula do G20 no Museu de Arte Moderna (MAM). Desta vez, o município acolhe a reunião de Cúpula do Brics, agendada para este domingo (6) e segunda-feira (7), sob a liderança do Brasil. Posicionando-se como uma plataforma para as principais economias que não integram o G7, o Brics se estabeleceu como um porta-voz proeminente do chamado Sul Global.

Este bloco funciona como um espaço para coordenação política e diplomática entre nações em desenvolvimento, com o objetivo de fomentar a colaboração mútua e abordar questões mundiais a partir de uma perspectiva multilateral. Uma de suas missões é amplificar a influência e garantir um tratamento mais equitativo para seus membros em organizações como a ONU, o FMI, o Banco Mundial e a OMC. Nesse sentido, o grupo avançou na criação de suas próprias estruturas, a exemplo do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), ou Banco do Brics. É importante notar que, por não se tratar de uma organização internacional formal, o Brics opera sem um orçamento próprio ou um secretariado permanente.

A composição atual do grupo inclui onze nações com status de membro e dez como parceiras. A distinção fundamental é que apenas os países-membros possuem poder de deliberação, como o direito a voto nas decisões e na ratificação da declaração final dos encontros. A categoria de país-parceiro, que permite a participação em debates e reuniões, foi instituída na Cúpula de Kazan, na Rússia, em outubro de 2024.

Atualmente, a composição do grupo é a seguinte:

  • Países-membros: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia.
  • Países-parceiros: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.

A origem do termo remonta a 2001, quando o economista Jim O’Neil, da Goldman Sachs, cunhou o acrônimo BRIC para destacar a crescente relevância econômica e geopolítica de Brasil, Rússia, Índia e China no século 21. A formalização do grupo ocorreu em 2006. Em 2011, a África do Sul foi incorporada, adicionando o “S” à sigla (de South Africa). A expansão mais significativa ocorreu em 2024, com a entrada de Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A Indonésia juntou-se em 2025, enquanto a Argentina, apesar de convidada, recusou a adesão sob a presidência de Javier Milei. O interesse no bloco continua a crescer, com mais de 30 nações já tendo manifestado o desejo de se juntar ao grupo, seja como membro ou parceiro.

O conceito de Sul Global, frequentemente associado ao Brics, refere-se a uma aliança de nações em desenvolvimento, localizadas em regiões como América Latina, África e Ásia. Tais países compartilham traços como um passado colonial, desafios sociais e a busca por maior autonomia na ordem política e econômica global. Apesar do nome, várias dessas nações, incluindo China e Rússia, estão geograficamente no hemisfério Norte. Quanto a futuras expansões, a presidência brasileira informou que não há planos imediatos para um novo processo de adesão, e qualquer interesse será analisado individualmente, com a decisão final exigindo o consenso de todos os líderes.

A escolha do Brasil para sediar a cúpula de 2025 se deve ao sistema de presidência rotativa do grupo. Esta é a quarta vez que o país recebe o evento, tendo sediado encontros em Brasília (2010 e 2019) e Fortaleza (2014). A presidência brasileira de 2025 já promoveu mais de 200 reuniões, virtuais e presenciais. Em 2026, a cúpula está programada para ocorrer na Índia.

Em termos de relevância, os 11 países-membros do Brics somam 48,5% da população mundial e representam 39% da economia do planeta, além de 23% do comércio global. O potencial energético do bloco também é notável, respondendo por 43,6% da produção de petróleo e 36% do gás natural mundial. Adicionalmente, o grupo detém 72% das reservas globais de minerais conhecidos como terras raras, essenciais para tecnologias avançadas. As prioridades da presidência brasileira para este ciclo são:

  • Combate à mudança do clima e governança da inteligência artificial.
  • Cooperação em saúde global, comércio, investimentos e finanças.
  • Desenvolvimento institucional do Brics e arquitetura multilateral de paz e segurança.

O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), ou Banco do Brics, foi criado em 2015 para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em nações emergentes. A instituição já aprovou financiamentos que somam US$ 39 bilhões para 120 projetos. Países não integrantes do Brics, como Uruguai, Argélia e Bangladesh, também podem se associar ao banco. A ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, preside o NDB desde 2023, tendo sido reeleita em 2025.

Outro pilar financeiro do grupo é o Arranjo Contingente de Reservas (ACR), uma plataforma de apoio mútuo para membros que enfrentam dificuldades no balanço de pagamentos. O fundo, já operacional, dispõe de um compromisso total de US$ 100 bilhões, com contribuições de China (US$ 41 bilhões), Brasil, Índia e Rússia (US$ 18 bilhões cada) e África do Sul (US$ 5 bilhões).

Compartilhe esse conteúdo!

Ricardo de Paula é jornalista internacional com domínio afiado dos principais cenários globais. Especialista em coberturas geopolíticas, crises humanitárias e acordos comerciais, ele traduz contextos complexos em reportagens com clareza, precisão e profundidade. Com entrevistas exclusivas a diplomatas, líderes e especialistas, conecta leitores ao impacto real dos acontecimentos internacionais no presente e no futuro.