O Segredo Chocante que Bares Não Querem que Você Saiba Sobre Sua Bebida.

Uma iniciativa conjunta entre associações de bares, restaurantes e fabricantes de bebidas destiladas está promovendo uma capacitação gratuita para proprietários e funcionários de estabelecimentos comerciais. O objetivo dos treinamentos, conduzidos pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), pela Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD) e pela Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), é fornecer orientações detalhadas sobre como reconhecer produtos falsificados ou adulterados. Os cursos ensinam a inspecionar minuciosamente garrafas, tampas, rótulos e o próprio líquido em busca de indícios de fraude.
As entidades organizadoras destacam que a análise deve ter como ponto de partida a tampa, considerada o principal ponto de segurança dos produtos. Tampas autênticas se caracterizam por um acabamento preciso, sem apresentar amassados, vãos ou falhas na impressão de sua arte. Um forte sinal de adulteração, segundo as associações, é a presença de lacres plásticos sobrepostos a tampas que já são decoradas. Outro item crucial a ser verificado é o selo fiscal, exigido em destilados importados. O selo original, produzido pela Casa da Moeda do Brasil, possui uma holografia que revela apenas uma letra por vez (R, F ou B). Caso todas as letras apareçam simultaneamente, a probabilidade de o selo ser falso é alta. Também é recomendado observar se garrafas da mesma marca possuem um nível de enchimento uniforme e se os líquidos são translúcidos e sem impurezas, já que variações de cor podem indicar falsificação.
A impressão de alta qualidade e a presença de informações obrigatórias em português, como ingredientes, país de origem e o número de registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), são características de produtos legítimos. Erros de ortografia, por outro lado, são considerados sinais claros de falsificação. As associações alertam em comunicado que “Estabelecimentos que compram de canais informais ou deixam de exercer cautela na aquisição de bebidas podem ser responsabilizados criminalmente”. Além disso, o treinamento aborda a importância do descarte correto das garrafas, pois investigações policiais apontam que 100% das bebidas falsificadas apreendidas foram envasadas em recipientes originais reutilizados.
A dimensão do problema é expressa em números de um levantamento realizado em abril pelo Núcleo de Pesquisas e Estatísticas da Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Estado de São Paulo (FHORESP), que indicou que 36% das bebidas comercializadas no Brasil são falsas, adulteradas ou contrabandeadas. “A expansão desse mercado [informal] no Brasil não apenas coloca em risco a saúde da população. Um produto ilegal é vendido, em média, 35% mais barato do que o original. A diferença pode chegar a até 48%, resultado da alta carga tributária do setor e da impunidade, que estão entre os principais fatores que estimulam o comércio ilícito”, afirmou o presidente da ABBD, Eduardo Cidade. Diante disso, a FHORESP orienta as empresas a:
- Redobrar a atenção durante as compras.
- Verificar sempre a procedência dos produtos.
- Adquirir itens apenas de fornecedores conhecidos.
- Exigir a nota fiscal e, se possível, checar sua autenticidade na Receita Federal.
A federação também ressaltou que o cuidado deve ser ainda maior em festas ocorridas fora de ambientes controlados, como locais sem alvará ou fiscalização, onde “a presença de bebidas falsificadas e perigosas é ainda mais recorrente, colocando a saúde dos consumidores em risco extremo”.
O receio gerado pelos casos de contaminação por metanol em São Paulo já está alterando a rotina social na capital. O garçom Marcílio Eduardo Ferreira da Silva Júnior relatou que está reconsiderando a comemoração de seu aniversário, que aconteceria em um bar no centro da cidade. “Sábado agora é meu aniversário e eu iria fazer [a comemoração] aqui no bar. Mas diante dessas coisas que estão acontecendo, de bebidas adulteradas, estou pensando em não fazer. É triste, estou com medo, gosto de beber gin, gosto de beber whisky, mas acho que não vai ter”, assegurou. A apreensão também impacta diretamente os estabelecimentos, como conta Rafael Douglas Martins, funcionário de um bar no bairro de Santa Cecília. Ele relatou uma queda no consumo de destilados durante a semana e informou que o local decidiu suspender preventivamente a venda desses produtos. “Hoje a gente suspendeu as vendas por uma questão mais de segurança, tanto do cliente como nossa também. Não estamos vendendo destilados, que é o whisky, o gin, e até mesmo caipirinha e vodca”, explicou. Martins frisou que a medida foi adotada mesmo que o bar trabalhe com distribuidores de confiança. “São confiáveis, temos nota, tudo certinho. É sempre o mesmo fornecedor desde sempre”, concluiu.
