O dado sobre professores que envergonha o Brasil no exterior.

Um estudo internacional divulgado nesta segunda-feira (6) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que a proporção de professores com contratos temporários no Brasil é significativamente maior do que a média em outras nações. A Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem 2024 (Talis), que analisou a situação da educação em 53 países com base em entrevistas com docentes e diretores, especialmente do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, aponta que apenas dois em cada três professores brasileiros possuem vínculos empregatícios permanentes.
De acordo com os resultados, somente 64% dos docentes no Brasil têm contratos estáveis, um índice que representa uma queda de 16 pontos percentuais em relação a 2018. Este número contrasta fortemente com a média de 81% registrada nos países membros da OCDE. O estudo salienta que a estabilidade contratual é crucial, pois vínculos precários podem gerar insegurança e afetar o desempenho profissional. Conforme destaca o relatório, “o emprego temporário envolve algum grau de insegurança e imprevisibilidade, o que pode causar tensão e impedir que alguns funcionários funcionem de forma ideal em seu ambiente de trabalho”.
Na comparação global, o Brasil figura entre os piores colocados nesse quesito, ocupando a quinta pior posição entre os países com dados disponíveis.
- O país supera apenas Xangai (China), com 33% de professores efetivos, Emirados Árabes Unidos (34%), Bahrein (55%) e Costa Rica (56%).
- No extremo oposto, nações como Dinamarca, Letônia e França apresentam taxas de contratação permanente próximas de 100%.
A insatisfação também se reflete nas condições de trabalho e remuneração. Menos de um quarto dos educadores brasileiros (22%) se declara satisfeito com o salário, e embora esse índice tenha subido quatro pontos percentuais desde 2018, ele ainda está muito abaixo da média da OCDE, que é de 39%. Neste ranking de satisfação salarial, o Brasil também ocupa a quinta pior colocação, à frente apenas de Malta, Portugal, Islândia e Turquia.
Quando se consideram outros aspectos contratuais, como benefícios e carga horária, o cenário é ainda mais crítico. A satisfação geral com as condições de trabalho caiu de 52% em 2018 para 44% em 2024, enquanto a média da OCDE é de 68%. Com esse resultado, o Brasil ocupa a antepenúltima posição, superando apenas Japão e Portugal.
- Em contraste, países como Áustria, Colômbia e Polônia registram que ao menos 80% de seus professores estão satisfeitos com as condições laborais.
- A pesquisa reforça que “a remuneração desempenha um papel importante na atração e retenção de professores, garantindo que seu trabalho seja financeiramente sustentável e competitivo com outras profissões”.
Esta foi a quarta edição da pesquisa Talis realizada no Brasil, conduzida entre junho e julho de 2024 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em parceria com as secretarias de Educação de todas as 27 Unidades Federativas.


