O Corte de US$1 Tri de Trump Esconde um Segredo Assustador.

O governo de Donald Trump obteve aprovação final no Congresso dos Estados Unidos para um vasto projeto legislativo nesta quinta-feira (3). A medida estende e amplia as reduções de impostos estabelecidas em 2017, com projeções indicando um potencial aumento de US$ 4,1 trilhões na dívida do país e de US$ 3,4 trilhões no déficit primário ao longo de uma década, beneficiando principalmente grandes conglomerados e setores econômicos.
O impacto fiscal previsto no déficit supera o valor estimado para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2024, que é de US$ 2,17 trilhões. Em contrapartida, o texto legislativo implementa um corte de US$ 1,07 trilhão no sistema de saúde e diminui os gastos com pensões e benefícios em áreas como educação e trabalho. Adicionalmente, a nova lei reverte políticas ambientais e de transição energética que haviam sido sancionadas durante a gestão de Joe Biden.
A legislação, batizada por Trump como “Um Grande e Belo Projeto”, também contempla um aumento de US$ 150 bilhões nos gastos com as Forças Armadas nos próximos 10 anos. Para reforçar políticas anti-imigração e viabilizar deportações em massa, o pacote eleva as despesas em “Segurança Interna” em US$ 129 bilhões até 2034. As análises financeiras foram divulgadas pela organização não governamental Comitê para um Orçamento Federal Responsável (CRFB), que se baseia nos dados do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), órgão oficial do legislativo americano.
A tramitação do projeto foi acirrada, sendo aprovado na Câmara por uma margem de apenas quatro votos. No Senado, a votação na terça-feira (1º) resultou em um empate de 50 a 50, com o voto de minerva do vice-presidente J.D. Vance, após três senadores republicanos se posicionarem contra a proposta. A aprovação foi uma prioridade para Trump, que pressionou para que ocorresse antes do feriado de 4 de julho, Dia da Independência dos EUA.
Considerada a ação mais significativa do segundo mandato de Trump para a economia, o presidente defende que a medida irá fomentar a atividade econômica e a geração de empregos. “A América terá um renascimento econômico como nunca antes. Já está acontecendo, mesmo antes do Belo projeto de lei. Dinheiro, fábricas e empregos chegando aos EUA”, declarou Trump em uma de suas redes sociais. Contudo, os democratas argumentam que a legislação prejudica os cidadãos mais pobres, dependentes do Medicaid, o seguro de saúde público. O texto também enfrentou oposição de alguns republicanos, preocupados com o potencial impacto eleitoral dos cortes na saúde e com o aumento da dívida pública.
Em uma manobra para retardar a votação, o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, discursou por 8 horas e 45 minutos, estabelecendo um recorde de longevidade na tribuna da Casa. “Eles conquistaram esses benefícios, trabalharam duro por eles e os merecem. Temos que impedir que esses extremistas destruam seu sistema de saúde”, afirmou Jeffries sobre os beneficiários do Medicaid.
James Green, professor de história e presidente do Conselho Diretivo do Washington Brazil Office (WBO), explicou à Agência Brasil que a medida pode levar ao fechamento de hospitais em áreas rurais, onde a dependência do Medicaid é maior. “É um programa que atende as pessoas pobres e pessoas com deficiências para cobrir as despesas médicas. Como esse programa de subvenção do governo federal ajuda muito na sustentação de hospitais rurais, estima-se que centenas desses hospitais vão ser afetados, em geral nos estados onde os republicanos têm mais força”, comentou. Para Green, o custo será pago pelos mais vulneráveis. “Vai ser um desastre para 40% da população mais pobre”, acrescentou.
Grandes grupos econômicos de diversos setores apoiam a medida, visando os benefícios da redução de impostos. Segundo a Casa Branca, trata-se de “um pacote legislativo transformador que garante alívio fiscal histórico”. Entre os apoiadores estão conglomerados dos seguintes ramos:
- Comunicação e indústria de máquinas
- Transporte rodoviário e aeroviário
- Setor hoteleiro e mercado financeiro
- Petróleo, aço e agricultura
Jason Oxman, presidente do Conselho da Indústria de Tecnologia da Informação dos EUA, disse que o projeto “[capacitará] as empresas a investir nos Estados Unidos, restaurando despesas críticas com pesquisa e desenvolvimento”. James Green, por sua vez, pondera que, enquanto empresários e os 10% mais ricos serão os maiores beneficiados, “pessoas de classes médias, como eu, vai ter uma redução mínima nos impostos”.
O pacote legislativo também impacta diretamente a agenda ambiental, revogando subvenções e incentivos fiscais para veículos elétricos e projetos de energia renovável, um corte que, segundo o CRFB, chega a US$ 543 bilhões. Green avalia que Trump “está querendo desmantelar todos os programas para o meio ambiente (…) Ele não tem nenhum interesse no meio ambiente. Ele está só interessado em lucros”. Em contrapartida, Mike Sommers, presidente do Instituto Americano de Petróleo, celebrou a aprovação: “Esta legislação histórica ajudará a inaugurar uma nova era de domínio no setor energético, abrindo oportunidades de investimento (…) e expandindo o acesso à exploração de petróleo e gás natural”.


