O Acordo Secreto que Pode Mudar o Futuro de um Continente

O Acordo Secreto que Pode Mudar o Futuro de um Continente

O Acordo Secreto que Pode Mudar o Futuro de um Continente

Uma nova fase na cooperação entre o Brasil e Moçambique foi selada nesta segunda-feira (24), com a formalização de nove atos bilaterais destinados a reforçar a capacidade institucional da nação africana. Os acordos abrangem uma vasta gama de setores, incluindo desenvolvimento, saúde, educação, diplomacia, empreendedorismo, promoção comercial, aviação civil, assistência jurídica e serviços agroflorestais.

Durante sua visita a Maputo, capital do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou a intenção de restaurar a capacidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar empresas brasileiras no exterior, o que, segundo ele, beneficia tanto o Brasil quanto nações parceiras como Moçambique. Ao lado do presidente moçambicano, Daniel Chapo, Lula declarou em pronunciamento à imprensa: “Moçambique é um país em desenvolvimento, que ainda possui lacunas de infraestrutura a suprir. Seu crescimento depende de portos, estradas, usinas e linhas de transmissão. O Brasil tem empresas dinâmicas, com condições de contribuir”.

A delegação brasileira chegou a Maputo no domingo (24), após participar da Cúpula de Líderes do G20 em Joanesburgo, na África do Sul. Esta viagem se insere no contexto das celebrações dos 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países, que também são membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O Ministério das Relações Exteriores salienta que a reaproximação com o continente africano é uma prioridade da política externa do atual governo. Lula abordou um distanciamento anterior, afirmando: “O Brasil se perdeu por caminhos sombrios e, nesse processo, se esqueceu dos laços com a África. Muitas das sementes que havíamos lançado não tiveram tempo de vingar. Mas é hora de recobrar a consciência”.

Para viabilizar a exportação de serviços e a internacionalização de negócios, o presidente defende que o Brasil deve oferecer linhas de crédito, uma função que já foi desempenhada pelo BNDES. A agenda da visita também incluiu um fórum com empresários de ambas as nações, focado em painéis sobre agronegócio, indústria, inovação e saúde, com o objetivo de ampliar o comércio e os investimentos mútuos. Moçambique já se destaca como o principal destino da cooperação brasileira na África, com 67 iniciativas formalizadas desde 2015 em diversas áreas, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

O intercâmbio comercial entre Brasil e Moçambique alcançou a cifra de US$ 40,5 milhões em 2024. Desse total, as exportações brasileiras somaram US$ 37,8 milhões, enquanto as importações foram de US$ 2,7 milhões. Os principais produtos enviados pelo Brasil são:

  • Carnes de aves (frescas, congeladas ou resfriadas), correspondendo a 41% do total.
  • Produtos de perfumaria ou toucador (4,7%).
  • Móveis e suas partes (5%).

Já as importações são majoritariamente compostas por tabaco desqualificado ou desnervado, que representa 95% do valor.

Apesar do fluxo comercial ainda ser considerado limitado, o governo brasileiro encara as relações institucionais com os países africanos como parte de um projeto político maior, que une cooperação para o desenvolvimento e educação. Nesse sentido, Lula anunciou que, em 2026, o Ministério da Educação e a ABC disponibilizarão até 80 vagas para formação em ciências agrárias e 400 vagas para cursos técnicos em agropecuária para moçambicanos. A iniciativa será reforçada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que treinará técnicos do país africano.

“Ninguém melhor do que o Brasil para contribuir, também, com a segurança alimentar de Moçambique. Com tecnologia adequada, é possível ampliar a produtividade da savana africana sem comprometer o meio ambiente”, ressaltou o presidente. Ele acrescentou que há um esforço para incluir Moçambique na fase de implementação acelerada da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Outras áreas com potencial para parcerias foram citadas, como a preservação de florestas, a transição energética e a produção audiovisual e literária.

O combate ao crime organizado também foi um tema abordado. “O governo brasileiro tem trabalhado com inteligência para desarticular redes criminosas e estrangular suas fontes de financiamento. A Polícia Federal brasileira é reconhecida internacionalmente por sua capacidade de rastrear ativos ilícitos e combater a lavagem de dinheiro. Ela está à disposição para compartilhar sua experiência e ampliar sua colaboração com Moçambique”, disse Lula. A agenda do presidente em Maputo se encerra com o recebimento do título de doutor honoris causa pela Universidade Pedagógica de Maputo.

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Ricardo de Paula é jornalista internacional com domínio afiado dos principais cenários globais. Especialista em coberturas geopolíticas, crises humanitárias e acordos comerciais, ele traduz contextos complexos em reportagens com clareza, precisão e profundidade. Com entrevistas exclusivas a diplomatas, líderes e especialistas, conecta leitores ao impacto real dos acontecimentos internacionais no presente e no futuro.