O Acordo Secreto dos Brics Que as Farmacêuticas Temem

Com o objetivo de aprofundar a cooperação técnica e científica, instituições nacionais de saúde dos países do Brics buscam maneiras de enfrentar desafios de saúde compartilhados e aprimorar a prontidão para futuras crises sanitárias. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), representante do Brasil, está sediando uma reunião no Rio de Janeiro para debater esses temas. Como resultado do encontro, está prevista a publicação de uma carta na próxima quarta-feira (17), detalhando os compromissos e as propostas do bloco.
A importância dessa colaboração foi ressaltada por Cristian Morales, representante da Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil. Ele observou que os institutos de saúde pública podem oferecer contribuições vitais tanto na preparação para emergências de saúde, sejam elas causadas por fenômenos naturais, mudanças climáticas ou epidemias, quanto na resposta a elas. Para Morales, é benéfico para todos que nações com a capacidade científica, produtiva e econômica do Brics possam gerar inovações, como novos medicamentos, vacinas e kits de diagnóstico, garantindo o acesso às populações necessitadas.
Mariângela Simão, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, apontou para o contexto geopolítico atual, mencionando a redução de financiamento de programas internacionais de saúde por parte dos Estados Unidos. Ela contrastou esse cenário com a união dos membros do Brics, que buscam basear suas políticas públicas em evidências científicas. Ela complementou que o momento é extremamente favorável para a liderança brasileira no Brics, vislumbrando ações que trarão benefícios diretos à saúde das populações dos países membros.
Um dos pilares que orienta o trabalho conjunto, segundo Simão, é a Parceria pela Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas, estabelecida em julho na última cúpula de líderes do bloco. Essa designação se refere a enfermidades cuja incidência é fortemente influenciada por fatores sociais, econômicos e ambientais, como desigualdade, carência de saneamento básico e dificuldades no acesso a serviços de saúde, afetando predominantemente as populações mais vulneráveis. São exemplos dessas enfermidades:
- Tuberculose
- Doença de Chagas
- Malária
- Hepatites virais
Outro ponto central das discussões é o combate à disparidade no acesso a insumos, tratamentos e inovações tecnológicas, uma realidade que historicamente prejudica os países em desenvolvimento. Lourdes Oliveira, vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais da Fiocruz, enfatizou que o objetivo é ampliar o acesso à saúde e fortalecer a capacidade de produção local. Essa estratégia, segundo ela, está diretamente ligada à resposta a emergências e à soberania das nações, especialmente as do Sul Global, com a intenção de não repetir o “cenário horrível” vivenciado durante a pandemia. Atualmente, o bloco do Brics é formado pelas seguintes nações:
- Brasil
- Rússia
- Índia
- China
- África do Sul
- Irã
- Arábia Saudita
- Egito
- Etiópia
- Emirados Árabes Unidos
- Indonésia


