Hugo Motta EXPLODE e exige respeito após caos no Congresso.

Após uma extensa paralisação e manifestações de congressistas da oposição, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), conseguiu dar início à sessão do plenário por volta das 22h30 da noite de quarta-feira (6). Ele repreendeu a conduta dos deputados, afirmando que os protestos devem respeitar o regimento da instituição. Em seu pronunciamento, Motta enfatizou que a obstrução prejudica o andamento da Casa.
“O que aconteceu entre o dia de ontem e hoje com a obstrução dos trabalhos não faz bem a esta casa. A oposição tem todo o direito de se manifestar, de expressar sua vontade. Mas tudo isso tem que ser feito obedecendo o nosso regimento e a nossa Constituição. Não vamos permitir que atos como esse possam ser maiores que o Plenário e do que a vontade dessa Casa”, declarou o presidente da Câmara.
Desde a terça-feira (5), parlamentares da oposição estão bloqueando os plenários tanto da Câmara quanto do Senado. O protesto tem como principais pautas:
- A contestação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
- A exigência de que seja votada uma anistia geral e irrestrita para os condenados na trama golpista.
- A instauração de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Hugo Motta também alertou que os congressistas não devem colocar interesses pessoais ou eleitorais acima das necessidades do país. “Nesta casa mora a solução das construções para o nosso país, que tem que estar sempre em primeiro lugar, e não deixarmos que projetos individuais, pessoais ou até eleitorais possam estar à frente daquilo que é maior que todos nós, que é nosso povo que tanto precisa das nossas decisões”, ressaltou.
Apesar de pedir diálogo e respeito, o presidente da Câmara garantiu que a presidência da Casa agirá com firmeza. “Sempre lutarei pelas nossas prerrogativas e pelo livre exercício do mandato. E o exercido do mandato se dá no respeito àquilo que para nós é inegociável, que é o direito de cada um exercer o direito à fala, a se posicionar, e de quem preside a casa de presidir os trabalhos”, afirmou.
Ao se dirigir ao plenário, Motta encontrou dificuldades para ocupar seu assento na Mesa Diretora, sendo impedido por alguns parlamentares, com destaque para os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-MS). A sessão presencial, decidida anteriormente pelo Colégio de Líderes, estava marcada para as 20h30, mas sofreu atraso devido à recusa dos opositores em desocupar o local.
Uma nota da Secretaria-Geral da Mesa adverte que qualquer conduta que vise impedir ou dificultar as atividades legislativas poderá sujeitar os envolvidos às sanções do Regimento Interno. O regulamento possibilita que a Mesa Diretora apresente uma representação ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, solicitando a suspensão cautelar do mandato de um deputado por até seis meses por quebra de decoro.
Um episódio distinto ocorreu quando o presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Reimont (PT-RJ), denunciou ao Conselho Tutelar a presença da filha da deputada Júlia Zanatta (PL-SC), uma bebê de colo, no plenário. Reimont argumentou que a atitude expôs a criança a um “ambiente de instabilidade, risco físico e tensão institucional”. Sentada na cadeira presidencial, a deputada Zanatta questionou: “Fui chamada pelos colegas e tive que vir com a minha bebê. Será que vão tirar a gente à força?”.
No Senado, para contornar o bloqueio, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) anunciou que a sessão deliberativa de quinta-feira (7) seria realizada de forma remota. Segundo ele, a medida visa assegurar o funcionamento da Casa e evitar que a agenda legislativa seja paralisada pela obstrução do plenário.


