Dilma Revela Arma Secreta do Brics Para Abalar o Dólar

A meta de que 30% da carteira de crédito do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) seja composta por moedas locais até 2026 foi anunciada por sua presidente, Dilma Rousseff. Durante sua participação no seminário A Transição Energética e a Sustentabilidade do Futuro, sediado no BNDES no Rio de Janeiro, ela defendeu a estratégia como um caminho mais benéfico para impulsionar o desenvolvimento sustentável nos países membros.
Dilma Rousseff ressaltou que uma das dificuldades centrais para as economias emergentes e em desenvolvimento é a “deficiência de acesso ao financiamento”. Segundo ela, plataformas como o NDB e os bancos nacionais de fomento ajudam a suprir essa lacuna, mas uma discussão global sobre como solucionar a questão do crédito é fundamental. Para a presidente do banco, uma das saídas mais eficazes é expandir o uso de moedas nacionais em operações de crédito de bancos multilaterais, pois isso resulta em taxas de juros mais baixas para os tomadores de empréstimos.
A presidente do NDB, também conhecido como Banco do Brics, explicou que a instituição foi criada justamente para mobilizar recursos e financiar projetos de infraestrutura e sustentabilidade. Ao priorizar moedas locais em detrimento do dólar ou do euro, os empréstimos ganham mais segurança e sofrem menos com oscilações de preços, facilitando o pagamento das dívidas pelos países. “O que acontece muitas vezes é que o acesso à moeda internacional é considerado não adequado para financiamento de longo prazo, porque durante 30 anos, por exemplo, para uma hidroelétrica, ou 20 anos para o financiamento de outras fontes de energia, você terá o risco crescente de ter situações que você não controla”, detalhou Rousseff.
Atualmente, cerca de 25% do portfólio da instituição já está denominado em moedas nacionais, e o objetivo de atingir 30% em 2026 coloca o banco na vanguarda entre as entidades de fomento multilateral que utilizam essa modalidade. Dilma acrescentou que tal abordagem protege os países contra os riscos cambiais. “Quando a sua moeda se desvaloriza e a taxa de juros sobe, o setor privado, por exemplo, não tem condições de suportar a pressão no seu balanço financeiro”, afirmou, destacando o impacto direto na economia dos países tomadores de crédito.
Essa orientação, que busca favorecer as nações do Brics, provocou uma reação do ex-presidente norte-americano, Donald Trump, que chegou a ameaçar com a imposição de tarifas aos países que aderissem a políticas consideradas por ele como antiamericanas.
Embora os países fundadores do Brics sejam os maiores depositantes de recursos do banco, a participação no bloco não é condição para acessar os fundos do NDB. A instituição conta hoje com os seguintes membros:
- Brasil
- Rússia
- Índia
- China
- África do Sul
- Emirados Árabes
- Bangladesh
- Egito
- Argélia
- Uzbequistão
- Colômbia
Desde a sua fundação em 2014, o NDB aprovou um total de 122 projetos de investimento, que somam cerca de US$ 40 bilhões. Desse montante, o Brasil foi contemplado com 29 projetos aprovados, que totalizam US$ 7 bilhões. O desembolso efetivo para o país alcançou US$ 4 bilhões, o que corresponde a 18% de todos os valores já liberados pelo banco.
