Cuidado: A Nova Regra ‘Testlet’ do Enem 2025 Pode Te Reprovar.

Uma nova metodologia na elaboração do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi anunciada pelo ministro da Educação, Camilo Santana, durante uma coletiva de imprensa na sede do Inep, em Brasília. A novidade é que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) empregou pela primeira vez o modelo testlets para formular as 90 questões de linguagens e ciências humanas, aplicadas no primeiro dia da edição de 2025 do exame. Esse novo formato consiste em agrupar diversas perguntas, todas vinculadas a um único texto de referência. O Inep justifica que o objetivo da alteração é proporcionar uma avaliação mais precisa dos conhecimentos que os estudantes adquiriram durante sua trajetória escolar.
Para o segundo dia de provas, agendado para o próximo domingo (16) e que ocorrerá em mais de 1,8 mil municípios em todo o país, o Inep não confirmou se a mesma abordagem foi utilizada nas 90 questões de matemática e ciências da natureza. Em resposta à Agência Brasil, o órgão afirmou em nota que “O Inep não divulga previamente informações sobre prova por questões de segurança e sigilo”. Apesar da cautela, os planos futuros indicam uma ampliação do uso dessa metodologia. Hilda Linhares, diretora de Avaliação da Educação Básica do Inep, afirmou: “Espera-se que, a partir desta edição, esse modelo seja adotado não apenas para a área de linguagens, na qual ele foi aplicado em 2025, mas também para outras áreas de conhecimento.”
Segundo o Inep, a adoção dos testlets busca analisar como o participante compreende e aplica informações, abrangendo desde a interpretação literal até a realização de inferências. As questões, embora associadas a um mesmo texto-base, são independentes entre si, de modo que a resposta de uma não interfere na outra. A iniciativa, de acordo com o instituto, permite:
- Otimizar o tamanho geral da prova;
- Reduzir o esforço de leitura de múltiplos fragmentos textuais;
- Possibilitar o uso de textos mais completos e próximos de suas fontes originais;
- Explorar contextos de maior complexidade;
- Avaliar habilidades cognitivas mais sofisticadas.
Camila Karino, que atua como diretora de Avaliações da Arco e é porta-voz da plataforma SAS Educação, expressou surpresa com a mudança, já que o Inep historicamente utilizava um formato padronizado de um texto-base por questão. Mesmo assim, ela considera a nova metodologia “um avanço no modelo avaliativo e que não há desvantagens claras”. Para Karino, o principal benefício é a capacidade de avaliar competências mais complexas, pois o formato anterior, com textos curtos, limitava a profundidade da análise. Ela prevê que, embora o tempo de prova não deva ser impactado, “Os textos se tornarão mais densos”. A especialista também lembra que esse modelo não é inédito no país, sendo já utilizado em vestibulares como os da UERJ, Unesp, Fuvest e UFRGS. “No entanto, esses processos não exploram todo o potencial dos testlets. Tenho uma aposta de que o Inep esteja apontando em uma nova tendência para edições futuras do exame, assim como o Pisa [Programa Internacional de Avaliação de Estudantes] já vem utilizando”, projeta a diretora.
A educadora fez questão de diferenciar o modelo testlets da Teoria de Resposta ao Item (TRI). A TRI é o modelo matemático empregado há anos pelo Inep para o cálculo das notas, que leva em conta a consistência das respostas do candidato e o nível de dificuldade de cada item. Conforme explicou Karino, “A Teoria de Resposta ao Item (TRI) é a metodologia de análise utilizada para estimar a proficiência dos estudantes. Ela não define o formato.”


