Alckmin Alerta: O Perigo no Acordo com os EUA que Ninguém Viu

O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin considerou a iniciativa dos Estados Unidos de diminuir as tarifas de importação para aproximadamente 200 produtos alimentícios como um avanço, mas enfatizou que distorções significativas ainda prejudicam o Brasil. Embora tenha classificado a medida como “um passo na direção correta”, ele apontou que a sobretaxa de 40% mantida exclusivamente sobre produtos brasileiros continua sendo um obstáculo considerável para as exportações do país. Alckmin ilustrou o desequilíbrio: “Há uma distorção que precisa ser corrigida. Todo mundo teve 10% [pontos percentuais] a menos. Só que, no caso do Brasil, que tinha 50%, ficou com 40%, que é muito alto“.
A decisão americana, anunciada na noite de sexta-feira (14), removeu uma tarifa global de 10%, conhecida como “taxa de reciprocidade”. Contudo, para o Brasil, a alíquota final em itens como café, carne bovina e frutas apenas recuou de 50% para 40% devido à permanência da sobretaxa específica. O vice-presidente creditou a mudança aos recentes avanços diplomáticos, incluindo diálogos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu homólogo americano, Donald Trump, em outubro, além de encontros entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado, Marco Rubio. Ele também destacou que a balança comercial bilateral é superavitária para os Estados Unidos, reforçando a ideia de que “O Brasil não é problema, é solução”.
Com a alteração, o volume de exportações brasileiras livres de sobretaxas para os EUA aumentou de 23% para 26%, o que representa cerca de US$ 10 bilhões. A mudança ocorre após um período, entre agosto e outubro, em que o déficit comercial do Brasil com os EUA cresceu 341% em decorrência do “tarifaço”. O impacto da redução tarifária, no entanto, varia conforme o setor:
- Suco de laranja: Foi o maior beneficiado, com a tarifa de 10% completamente zerada, impactando um setor que movimenta US$ 1,2 bilhão.
- Café: A alíquota foi reduzida para 40%, mas o Brasil ainda enfrenta concorrência acirrada, já que produtores rivais, como o Vietnã, obtiveram cortes mais amplos.
- Carne bovina e frutas: Também tiveram as tarifas reduzidas para 40%, mas o ganho é considerado limitado enquanto a sobretaxa remanescente estiver em vigor.
Do lado americano, a justificativa para a medida é o esforço para conter a inflação de alimentos e estabilizar a oferta interna. Em um pronunciamento, o presidente Donald Trump classificou o ajuste como “um pequeno recuo” e afirmou não considerar necessárias novas reduções tarifárias no curto prazo, declarando esperar uma queda nos preços de produtos como o café. Ao finalizar, Alckmin lembrou ainda de outros progressos comerciais recentes, como a retirada de taxas sobre ferro-níquel e celulose em setembro, e a diminuição de alíquotas para madeira e móveis em outubro, embora essas últimas tenham sido aplicadas globalmente sob o argumento de proteção da segurança comercial do país.


