A Verdade Chocante Por Trás da Queda de 21% nos Desempregados

O Brasil registrou no segundo trimestre de 2025 o menor contingente de pessoas desempregadas há mais de um ano, conforme aponta um recorde na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de 1,913 milhão de trabalhadores em busca de uma vaga entre os meses de abril e junho deste ano é o mais baixo desde o início da série histórica, em 2012.
Essa marca representa uma diminuição de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando 2,4 milhões de pessoas se encontravam nessa situação. A metodologia da pesquisa do IBGE, que realiza visitas a 211 mil domicílios em todo o território nacional, considera desocupado todo indivíduo com 14 anos ou mais que está ativamente procurando por uma oportunidade de trabalho, abrangendo todas as formas de ocupação, como empregos formais, informais, temporários ou por conta própria.
William Kratochwill, analista responsável pela pesquisa, observa uma tendência de queda na proporção de pessoas que enfrentam uma busca prolongada por trabalho. Segundo ele, “o mercado está gerando oportunidades que estão absorvendo as muitas pessoas, inclusive aquelas que tinham mais dificuldade de encontrar um posto de trabalho”.
Os dados desta PNAD Trimestral complementam o anúncio feito pelo IBGE no final de julho, que revelou uma taxa de desemprego geral de 5,8% no país, a menor já registrada. Naquela ocasião, a pesquisa mensal também havia indicado recordes no número de empregos com carteira assinada, chegando a 39 milhões de pessoas, e no rendimento médio mensal do trabalhador, que alcançou R$ 3.477.
A melhora no mercado de trabalho se mostrou disseminada pelo país. No segundo trimestre, a desocupação recuou em 18 das 27 unidades da federação quando comparada ao primeiro trimestre. As taxas estaduais variaram de 2,2% em Santa Catarina a 10,4% em Pernambuco. Outro dado notável é que 12 estados alcançaram seu menor patamar de desocupação para um segundo trimestre em toda a série histórica, incluindo Amapá (6,9%), Minas Gerais (4%), São Paulo (5,1%) e Rio Grande do Sul (4,3%).
Os pesquisadores do IBGE detalharam a redução no tempo de procura por uma vaga em quatro faixas distintas, todas apresentando queda em relação ao segundo trimestre de 2024:
- Busca por menos de um mês: redução de 16,7%;
- Busca de um mês a menos de um ano: redução de 10,7%;
- Busca de um a menos de dois anos: redução de 16,6%;
- Busca por dois anos ou mais: redução de 23,6%.
Kratochwill avalia que 2025 tem se comportado de maneira atípica, pois o mercado de trabalho não registrou a habitual alta do desemprego no início do ano, que costuma ocorrer com a dispensa de trabalhadores temporários contratados no ano anterior. “Este ano, o primeiro trimestre mostrou que o mercado estava disposto a absorver grande parte dessa mão de obra temporária”, afirmou, concluindo que “o mercado de trabalho está resistente a pioras, e os dados do segundo trimestre confirmam isso”.
O pesquisador adiciona que a dinâmica fortalecida do emprego gera outros efeitos positivos na economia, como a diminuição da informalidade (que representa 37,8% da população ocupada), o aumento de postos com carteira assinada e a elevação dos salários. “Isso traz um certo vigor para o mercado de trabalho, que apresenta melhora de condições dos trabalhadores”, pontua, destacando que os dados regionais evidenciam uma recuperação disseminada pelo território nacional.
Apesar do cenário positivo, a PNAD revelou que o desemprego ainda impacta desigualmente diferentes grupos populacionais. A taxa de desocupação entre as mulheres (6,9%) foi superior à dos homens (4,8%). Da mesma forma, a taxa para brancos foi de 4,8%, enquanto para pretos foi de 7% e para pardos, 6,4%. No que tange à instrução, o desemprego foi maior para pessoas com ensino médio incompleto (9,4%), quase o triplo da taxa observada entre aqueles com nível superior completo (3,2%).
