A Missão Secreta de Padilha na ONU que Pode Mudar Tudo

A Missão Secreta de Padilha na ONU que Pode Mudar Tudo

A Missão Secreta de Padilha na ONU que Pode Mudar Tudo
A participação de Alexandre Padilha, ministro da Saúde, em eventos internacionais agendados para setembro em Nova York, está sob análise. A conferência da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) são os compromissos em questão. A ponderação do ministro ocorre em um momento delicado, logo após o governo dos Estados Unidos ter cancelado, em 15 de agosto, os vistos de entrada de sua esposa e de sua filha de 10 anos. O documento de viagem de Padilha não pôde ser revogado por já estar vencido desde 2024.

O próprio ministro explicou que a indecisão não se deve à questão dos vistos, mas sim a obrigações no Brasil. “Eu não tenho uma decisão ainda se vou comparecer tanto à Assembleia Geral da ONU quanto à Assembleia Geral da Opas, por conta dos compromissos locais”, afirmou, mencionando a dificuldade de se ausentar de Brasília. Ele citou como impeditivos as votações no Congresso Nacional e a implementação do programa “Agora tem Especialistas”. Durante um encontro com a imprensa, ao comentar a situação, ele parafraseou o escritor Ariano Suassuna de forma irônica: “Tem gente que acha que o mundo se divide em quem foi à Disney, e quem quer ir para Disney, ou quem não foi para Disney… eu não tenho intenção nenhuma de ir para Disney”.

A revogação dos vistos da família do ministro está conectada a outra ação do governo norte-americano. Dois dias antes, o Departamento de Estado dos EUA já havia invalidado os vistos de outros funcionários do governo brasileiro associados à execução do programa Mais Médicos. A iniciativa foi criada em 2013, durante a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, e atualmente, no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é denominada Mais Médicos para o Brasil. Padilha reforçou que a medida não mudará sua posição. “Eu sempre falei que isso não ia abalar em nada a nossa defesa do programa Mais Médicos e a ação do Ministério da Saúde em defender a saúde. Vamos continuar trabalhando pelo programa Mais Médicos”, garantiu. Esta política pública visa alocar profissionais de saúde em áreas com carência ou ausência de médicos, como regiões remotas, de difícil acesso ou com alta vulnerabilidade social, para atender usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Caso decida viajar para os Estados Unidos, o ministro da Saúde mencionou que estaria amparado por um acordo internacional. Ele se refere ao chamado “acordo de sede”, que obriga o país que abriga organismos da ONU a garantir o acesso de autoridades convidadas para participar de eventos oficiais. “Se eu tiver a decisão de ir, tem o acordo de sede. (…) Uma delas é garantir o acesso das autoridades que estão convidadas e que participam das atividades. Mas eu não tenho decisão ainda”, reiterou, atribuindo a dúvida às questões internas.

O ministro também esclareceu que os vistos de sua família tinham o propósito de visitar parentes que residem nos Estados Unidos. A família pretendia encontrar:

  • O irmão de Padilha;
  • Sua sobrinha, com idade próxima à de sua filha;
  • Sua madrasta.

Todos são cidadãos norte-americanos. Padilha voltou a classificar a ação do governo norte-americano como um ato de covardia, mas afirmou que o impacto familiar já foi superado. “A gente vai se encontrar em outros lugares. Já superamos essa ação, esse ato de covardia. Vamos tocando a vida”, concluiu.

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Lucas Pedroso é jornalista de política com olfato apurado para os bastidores do poder. Especializado em análise legislativa e cobertura de eleições, ele traz reportagens com contextualização histórica, entrevistas com parlamentares e explicações claras sobre impactos das decisões públicas no cotidiano. Com uma linguagem direta e investigativa, Lucas conecta o leitor aos meandros da política com relevância, ética e aprofundamento.