A Jogada de Mestre do GDF que Derrubou o Presidente da Caixa

O Governo do Distrito Federal designou Celso Eloi de Souza Cavalhero, atual superintendente da Caixa, para assumir a presidência do banco BRB. A nomeação ocorre em substituição a Paulo Henrique Costa, que foi removido do cargo por uma decisão judicial. Sendo um servidor de carreira da instituição estatal, Cavalhero ainda precisa ter seu nome aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal antes de tomar posse.
A mudança no comando do BRB é um desdobramento da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira. Conforme uma nota oficial do GDF, a indicação de Cavalhero visa “assegurar a continuidade administrativa e financeira do BRB”, que se tornou um dos alvos da investigação. A ação policial resultou, até o início da tarde, em seis prisões efetuadas, sendo quatro preventivas e duas temporárias. Entre os detidos está Daniel Vorcaro, dono do banco Master, capturado enquanto tentava deixar o país em um jato particular.
Por determinação da Justiça, os agentes federais também confiscaram aproximadamente R$ 1,6 milhão em dinheiro, além de obras de arte, veículos e relógios de luxo. Os mandados judiciais foram cumpridos no Distrito Federal e em outros quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Além de Paulo Henrique Costa, a Justiça decretou o afastamento temporário de Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB.
A Operação Compliance Zero é o resultado de uma apuração iniciada pela PF em 2024 para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional. As investigações apontam que essas instituições criavam falsas operações de crédito, como empréstimos simulados, e vendiam essas carteiras a outros bancos. Após a aprovação contábil do Banco Central, os créditos fraudulentos eram trocados por outros ativos sem a avaliação técnica apropriada. Segundo o diretor-geral da PF, as fraudes podem ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.
O principal alvo da investigação, instaurada a pedido do Ministério Público Federal, é o banco Master, de Vorcaro. A instituição financeira se tornou conhecida por sua política agressiva de captação de recursos, que incluía ofertas com rendimentos de até 140% do CDI, bem acima da média do mercado. As dúvidas sobre a saúde financeira do Master aumentaram com operações envolvendo precatórios e uma tentativa frustrada de emitir títulos em dólares para captar recursos, que não teve sucesso devido à desconfiança do mercado.
Em março deste ano, o BRB havia anunciado a intenção de adquirir o Master por R$ 2 bilhões, mas o Banco Central (BC) rejeitou o negócio no início de setembro. Em comunicado, o BRB declarou que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência”, prestando informações regulares aos órgãos de controle sobre as negociações. O GDF, por sua vez, assegurou a plena capacidade de operação do banco, afirmando que não há impacto na sua liquidez ou solvência e que medidas internas serão tomadas para reforçar a governança e a colaboração com as investigações, visando “preservar o patrimônio público e fortalecer a confiança no sistema financeiro do Distrito Federal”.
