A Frase do Ministro Sobre Salários Que Ninguém Esperava Ouvir

Durante uma solenidade no Parque Olímpico do Rio de Janeiro para celebrar o Dia Nacional do Professor, nesta quarta-feira (15), o ministro da Educação, Camilo Santana, defendeu enfaticamente a necessidade de uma melhor compensação financeira para os educadores. “Professor tem que ser bem remunerado. No nosso país, o professor tem que ser valorizado”, declarou o ministro em seu discurso. Ele ainda complementou que “o Brasil é um país muito desigual e só a educação possibilita transformar a vida das pessoas”. A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de diversas autoridades dos governos federal e municipal, além de parlamentares.
Na mesma ocasião, Santana mencionou as ações do governo federal para o setor, como o programa Pé de Meia e a recém-lançada Carteira Nacional Docente do Brasil, que foi oficialmente inaugurada no evento. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que também é professora por formação, corroborou a defesa por salários dignos. Trazendo sua experiência pessoal, ela afirmou: “Qualquer 10 minutos a mais na nossa carga horária conta. Eu me lembro disso. Qualquer 10 minutos a mais também tem que ser remunerado e é isso mesmo que os professores merecem”. Franco também ressaltou a importância do programa de cotas, que possibilitou seus estudos na Uerj e na UFRJ.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, iniciou seu discurso sob vaias dos docentes presentes, mas reverteu a recepção negativa ao anunciar um reajuste salarial para a categoria municipal. “Quero garantir aos professores do município que mais uma vez vão ter reajuste”, prometeu, sendo então aplaudido. A promessa surge em um contexto de tensão, pois, segundo informações do Sindicato dos Profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro (Sepe-RJ), os professores da rede municipal estão sem aumento há 18 meses. Em uma publicação, o sindicato alertou que os profissionais não aceitam a situação e que a categoria não tem o que comemorar na data.
O quadro geral dos educadores no país apresenta grandes desafios. Conforme o relatório Education at a Glance, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os professores brasileiros trabalham mais e recebem menos que a média dos países do bloco. Os dados do ano passado indicam que:
- O salário médio anual de um professor dos anos finais do ensino fundamental no Brasil foi de R$ 128 mil, valor 47% abaixo da média das nações da OCDE.
- A carga horária letiva anual dos docentes brasileiros chega a 800 horas, superando a média de 706 horas registrada pela organização.
Atualmente, o país discute o novo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelecerá as diretrizes para o setor nos próximos dez anos. Um relatório sobre o PNE 2025-2035, apresentado na Câmara dos Deputados, aponta a necessidade de investir 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para assegurar a qualidade do ensino, sanar deficiências e promover a valorização profissional. O texto do plano ainda será debatido antes de ser votado. No evento desta quarta-feira, a Carteira Nacional Docente do Brasil começou a ser emitida, com 1,5 mil professores presentes recebendo o documento, que concede descontos em eventos culturais e vantagens com empresas parceiras.


