A frase absurda contra Marina que fez a Secretaria da Mulher explodir.

A frase absurda contra Marina que fez a Secretaria da Mulher explodir.

A frase absurda contra Marina que fez a Secretaria da Mulher explodir.
Após novos insultos serem dirigidos à ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados decidiu acionar a Corregedoria Parlamentar. O episódio de desrespeito ocorreu na última quarta-feira (2) durante uma audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, onde a ministra foi novamente alvo de ofensas por parte de congressistas.

O proponente da convocação, deputado Evair de Melo (PP-ES), integrante da bancada ruralista, foi um dos responsáveis pelos ataques, chegando a estabelecer comparações entre a ministra e grupos como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Hamas. Ele também repetiu uma associação anterior de Marina Silva ao câncer, declarando: “Um dia, eu fiz uma citação aqui comparando com um câncer. E eu pedi desculpas depois porque o câncer, muitas vezes, tem cura. E esse viés ideológico construído nesse movimento conspiratório tem se mostrado aplicado neste momento”. Em outro momento da sessão, o deputado Cabo Gilberto (PL-PB) pediu que a ministra tivesse calma durante uma fala mais enfática, uma postura que ela rebateu como sendo machista, uma vez que a veemência no discurso de homens não costuma receber o mesmo tipo de crítica.

Este não foi um evento isolado. Em maio, a ministra já havia enfrentado uma situação parecida, que a levou a se retirar de uma audiência na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado após ser atacada pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), que na ocasião afirmou que, como ministra, ela não merecia respeito.

Em um comunicado oficial, a Secretaria da Mulher avaliou que as ofensas do deputado Evair Vieira de Melo à ministra foram “de forma desrespeitosa e incompatível com os princípios democráticos e com o decoro parlamentar que devem nortear os trabalhos desta Casa”. O órgão também formalizou sua resposta, afirmando: “Diante da gravidade do episódio, a Secretaria da Mulher, no uso de suas atribuições regimentais, informa que encaminhará representação formal à Corregedoria Parlamentar para que as medidas cabíveis sejam adotadas”.

A nota da secretaria destaca ainda a urgência de frear o aumento de episódios de violência política de gênero em todas as esferas de poder, que visam claramente intimidar e calar mulheres em posições de liderança. O documento reforça que a Secretaria se posicionará com a “mesma firmeza em qualquer outro caso em que deputadas sejam desrespeitadas”. A Câmara dos Deputados, responsável pela criação e defesa de legislações como a Lei nº 14.192/2021, que combate a violência política de gênero, não pode, segundo a secretaria, ser conivente com a violação dessa norma.

O comunicado prossegue criticando o que descreve como uma trivialização do ambiente parlamentar, onde autoridades são alvo de ataques pessoais, transformando audiências públicas em “palanques de desrespeito e intolerância”. Concluindo, a secretaria exige responsabilização por tais condutas, argumentando que substituir o debate e a fiscalização pela agressão enfraquece a democracia. “Essa prática antidemocrática não pode ser tolerada”, finaliza a nota, clamando por medidas contra “condutas que atentam contra a dignidade, a democracia e o mandato das mulheres parlamentares”.

Compartilhe esse conteúdo!

Lucas Pedroso é jornalista de política com olfato apurado para os bastidores do poder. Especializado em análise legislativa e cobertura de eleições, ele traz reportagens com contextualização histórica, entrevistas com parlamentares e explicações claras sobre impactos das decisões públicas no cotidiano. Com uma linguagem direta e investigativa, Lucas conecta o leitor aos meandros da política com relevância, ética e aprofundamento.