A Arma Secreta da Petrobras Contra a Inflação Foi Revelada

A Petrobras tem a intenção de ampliar o escoamento de gás natural do pré-sal para o litoral, visando uma redução no custo do combustível para o setor industrial, conforme revelou a presidente da estatal, Magda Chambriard. A declaração foi feita durante a apresentação de um significativo aporte de capital de mais de R$ 33 bilhões destinado ao refino e à indústria petroquímica no estado do Rio de Janeiro. Segundo Chambriard, a lógica é direta: “Quanto mais gás a gente conseguir trazer para costa, mais barato será esse gás para a sociedade”.
O vultoso plano de negócios anunciado prevê a conexão entre diversas estruturas estratégicas na região metropolitana do Rio de Janeiro, incluindo:
- A Rota 3, responsável pelo escoamento do gás natural proveniente dos campos do pré-sal na Bacia de Santos;
- Unidades petroquímicas da região;
- A Refinaria Duque de Caxias (Reduc).
Ao ser questionada se esses investimentos poderiam diminuir o preço do gás natural, um insumo crucial para a indústria tanto como fonte de energia quanto como matéria-prima para fertilizantes, a presidente da Petrobras confirmou que a companhia está trabalhando para este fim, mas ressaltou que “é um processo que não é imediato”. Ela reforçou o compromisso da empresa com a sociedade, afirmando: “A Petrobras é muito parceira da sociedade brasileira e, da mesma forma que nos combustíveis líquidos, estamos sempre querendo abrasileirar preços e sempre querendo entregar o produto da forma mais conveniente e da forma mais acessível possível”. A política de “abrasileirar” os preços consiste em considerar os custos de produção nacionais e a fatia de mercado da estatal, em vez de seguir unicamente as cotações internacionais, para proteger o consumidor de flutuações abruptas.
A iniciativa da Petrobras responde a antigas queixas do setor empresarial sobre o alto custo do insumo. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado em abril, classificou o gás brasileiro como um dos mais caros do mundo, com valores que chegam a ser o dobro do europeu e até dez vezes mais caros que o americano. Recentemente, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também defendeu a redução do preço do gás como um pilar para a reindustrialização do país, lembrando que é preciso “equilibrar a força empresarial com a compreensão das necessidades do Brasil”.
Chambriard detalhou os desafios logísticos da operação, explicando que o petróleo é extraído de campos marítimos localizados a centenas de quilômetros da costa. Ela admitiu que nem todas as plataformas foram originalmente projetadas para exportar o gás para o continente. Contudo, novos projetos já contemplam essa necessidade. “Nosso projeto de [navio-plataforma] Búzios 12 propõe um hub [concentrador] de gás para trazer mais gás para a costa”, exemplificou, reiterando que o aumento do volume é o caminho para a redução do preço. A presidente concluiu que, embora o Brasil já importe gás de nações vizinhas como Bolívia e Argentina, o verdadeiro desafio não é a oferta. “Problema é trazer gás para o Brasil a preços acessíveis para a indústria brasileira”, pontuou.
