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Nesta quarta-feira (20), um diálogo telefônico entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Emmanuel Macron resultou na promessa de intensificar os esforços para a conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A conversa ocorre em um cenário de imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos, e o pacto, negociado por mais de duas décadas, ainda enfrenta obstáculos, notadamente da parte da França. As divergências persistem: o líder francês aponta para a ausência de exigências ambientais na produção industrial e agrícola como um problema, enquanto o presidente brasileiro considera a postura francesa uma forma de protecionismo para seus interesses no campo. Atualmente na presidência do Mercosul, o Brasil tem como meta prioritária finalizar o acordo com o bloco europeu neste semestre.

Após a ligação, que durou quase uma hora, o Palácio do Planalto emitiu uma nota confirmando o objetivo. “Macron e Lula comprometeram-se a ultimar o diálogo com vistas à assinatura do acordo Mercosul-União Europeia ainda neste semestre, durante a presidência brasileira do bloco”. O comunicado acrescenta que “o Brasil continuará trabalhando para concluir novos acordos comerciais e abrir mercados para a produção nacional”. Essa movimentação do governo francês está alinhada aos objetivos do Brasil de diversificar suas parcerias e expandir acordos que reforcem a posição dos países do Sul Global. Durante a conversa, Lula criticou o uso político de tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos e detalhou a Macron as contramedidas brasileiras, que incluem:

  • A proteção de trabalhadores e empresas nacionais.
  • A apresentação de um recurso na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o que o Brasil considera “injustificadas tarifas norte-americanas”.

As sobretaxas de 50% impostas por Trump em agosto sobre certos produtos brasileiros são vistas como uma retaliação a decisões que afetariam as gigantes de tecnologia dos EUA e como uma resposta ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Analistas também interpretam a ação como uma manobra política para enfraquecer o Brics, grupo de potências emergentes que desafia a hegemonia norte-americana e propõe alternativas ao dólar nas transações comerciais.

A agenda da conversa bilateral não se limitou ao comércio. Emmanuel Macron assegurou sua presença na COP30, a conferência climática da ONU que ocorrerá em Belém (PA) em novembro de 2025. Lula descreveu o evento como a “COP da verdade”, onde se verá “quais países acreditam na ciência”. Segundo o Planalto, “O presidente Lula destacou a ambição das metas nacionalmente determinadas apresentadas pelo Brasil e realçou a importância de que a União Europeia e seus membros apresentem metas à altura do desafio que o planeta enfrenta”. A guerra entre Rússia e Ucrânia, que já ultrapassa três anos, também foi pauta. O presidente francês elogiou a atuação do Grupo de Amigos da Paz, uma iniciativa liderada por Brasil e China, e ambos concordaram em manter o diálogo sobre o conflito.

O líder brasileiro expressou sua inquietação com o aumento global dos gastos militares em um mundo onde aproximadamente 700 milhões de pessoas ainda sofrem com a fome. Conforme o comunicado oficial, ele “registrou, nesse contexto, a saída do Brasil do Mapa da Fome da FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] e defendeu a reforma das instituições multilaterais em favor de uma governança global mais representativa e democrática”. Finalmente, no âmbito das relações bilaterais, os dois chefes de Estado se comprometeram a aprofundar a cooperação na área de defesa, um setor em que os dois países já mantêm parcerias estratégicas para o desenvolvimento de helicópteros, submarinos e satélites.

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Ricardo de Paula é jornalista internacional com domínio afiado dos principais cenários globais. Especialista em coberturas geopolíticas, crises humanitárias e acordos comerciais, ele traduz contextos complexos em reportagens com clareza, precisão e profundidade. Com entrevistas exclusivas a diplomatas, líderes e especialistas, conecta leitores ao impacto real dos acontecimentos internacionais no presente e no futuro.